Ex-ministros do STF acompanham julgamento histórico em meio a grave crise institucional na Corte

Sessão extraordinária marcada para esta terça-feira (15) definirá se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por supostas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro no âmbito do caso Master.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Imagem do post
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom e José Cruz / Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória institucional. Nesta terça-feira (15), ministros aposentados da mais alta corte do país planejam acompanhar presencialmente uma sessão extraordinária de enorme repercussão nacional, convocada para decidir se o ministro Alexandre de Moraes será alvo de uma investigação oficial decorrente de desdobramentos do caso Master.

O contexto político e jurídico em torno do plenário é marcado por forte tensão. O clima de instabilidade levou recentemente um grupo de 13 antigos integrantes da Corte — incluindo vários ex-presidentes do tribunal, como Rosa Weber, Joaquim Barbosa e Celso de Mello — a enviar uma carta formal ao atual presidente do STF, ministro Edson Fachin.

No documento enviado no início de setembro, os magistrados da reserva externaram total confiança na condução de Fachin diante do que classificaram abertamente como a “mais aguda crise” da história do Supremo. A mobilização histórica dos veteranos evidencia o tamanho do desgaste institucional enfrentado pelo Poder Judiciário perante a opinião pública.

A manifestação dos ex-ministros também cobrava transparência imediata e a realização de uma sessão pública no plenário para apurar fatos graves que afetam a credibilidade da instituição. A expectativa dos signatários era de que o caso fosse levado diretamente aos debates colegiados, exigência que será atendida nesta data.

O cerne da deliberação desta terça-feira não consiste em um julgamento de mérito sobre culpa, mas sim em definir se existem elementos suficientes para que Alexandre de Moraes seja formalmente investigado. Devido ao foro privilegiado inerente ao cargo, a prerrogativa de autorizar ou não a abertura de inquérito contra um ministro cabe exclusivamente aos pares da Corte.

O escândalo veio à tona após a Polícia Federal quebrar o sigilo de dados extraídos do aparelho celular de Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master. O material revelou diálogos com um perfil atribuído a Moraes, sugerindo um grau de proximidade incomum entre o magistrado e o empresário investigado.

Entre os registros obtidos pelos investigadores, destaca-se uma troca de mensagens na véspera da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, na qual o banqueiro questionava o ministro sobre a conveniência de fugir do país. As apurações preliminares indicam que o empresário trocava impressões rotineiras com o integrante do STF sobre as investigações da Operação Compliance Zero.

Além das conversas diretas, os relatórios policiais apontam a existência de contratos financeiros milionários. O escritório de advocacia pertencente à esposa de Moraes, Viviane Barci, mantinha acordos comerciais no valor de R$ 131 milhões com a instituição financeira envolvida, levantando suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse.

Diante do material probatório reunido, que levanta indícios de crimes como obstrução de justiça e tráfico de influência, os ministros em atividade precisarão decidir coletivamente os rumos jurídicos do caso. A sessão promete definir não apenas o futuro processual de Moraes, mas também os próximos capítulos da credibilidade do STF perante a sociedade.

Com informações do G1

PUBLICIDADE
Redação Paiquerê FM News

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo, com um jornalismo rápido, atuante e com a tradição e seriedade da Paiquerê FM 98.9