Fóssil encontrado no Brasil ajuda cientistas a reconstruir ave de 125 milhões de anos
Pesquisadores utilizaram um fóssil brasileiro, modelagem digital e impressão 3D para recriar a aparência de uma pequena ave que viveu na época dos dinossauros. A reconstrução apresenta detalhes da anatomia, das penas e de um possível comportamento do animal.

Uma ave que viveu há aproximadamente 125 milhões de anos ganhou uma reconstrução em tamanho real graças à combinação de fósseis, tecnologia digital e técnicas de escultura. A espécie, chamada Concornis lacustris, habitava a região que hoje corresponde à Europa e tinha cerca de 13 centímetros de comprimento e 30 centímetros de envergadura.
O trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores Víctor Peco e Sergio Nebreda, que utilizaram como referência um fóssil encontrado na Espanha e informações anatômicas de outras aves pré-históricas. Entre os materiais analisados estava um crânio fossilizado da espécie Navaornis hestiae, descoberto no Brasil, que ajudou a compreender características ausentes no principal exemplar de Concornis.
A reconstrução começou com a criação de um modelo tridimensional no programa Blender, utilizando fotografias e desenhos científicos dos fósseis. Depois, a estrutura foi produzida em uma impressora 3D e recebeu acabamento manual com massa epóxi e tintas a óleo. Para representar as penas, os pesquisadores utilizaram filamentos plásticos e referências de aves antigas e atuais.
A escultura apresenta asas e dorso marrom-escuros, parte inferior mais clara e reflexos azulados e esverdeados na cabeça. No entanto, como o fóssil original não preservou informações sobre a pigmentação, essas cores representam uma hipótese científica, e não uma reprodução comprovada da aparência do animal.
O modelo também mostra a pequena ave em um possível momento de pouso sobre um galho de Frenelopsis, planta que existia no ambiente onde seus fósseis foram encontrados. Publicado na revista científica Earth History and Biodiversity, o estudo demonstra como a tecnologia pode ajudar a visualizar espécies extintas e ampliar o conhecimento sobre a evolução das aves durante o período Cretáceo.
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