Morre o ator e diretor Gracindo Jr., pioneiro da televisão brasileira, aos 83 anos
Com mais de meio século de carreira nas artes, veterano integrou o elenco fundador da TV Globo, dirigiu clássicos da teledramaturgia e deixa um legado de versatilidade nos palcos e telas.

O cenário artístico brasileiro perdeu um de seus nomes mais emblemáticos. O ator e diretor Gracindo Jr. faleceu na noite de terça-feira (1º), aos 83 anos, em sua residência no Rio de Janeiro. A confirmação da morte, ocorrida por causas naturais, foi feita por seu filho, Pedro Gracindo. O artista acumulava mais de cinco décadas de dedicação contínua ao teatro, rádio, cinema e à televisão.
O velório do artista será realizado nesta quinta-feira (3), a partir das 12h10, no Crematório e Cemitério da Penitência, localizado na capital fluminense. A cerimônia de despedida será aberta aos admiradores e ao público em geral. Na sequência, a cremação do corpo foi agendada para as 14h10 no mesmo local.
O veterano deixa um extenso legado familiar e pessoal. Ele era casado há mais de 50 anos com Daisy Poli, união da qual nasceram cinco filhos e que lhe rendeu sete netos. A trajetória de Gracindo Jr. foi marcada pela união estreita entre a vida privada e a vocação artística herdada de seu pai.
Nascido Epaminondas Xavier Gracindo na capital carioca, em 21 de maio de 1943, ele carrega o nome e o legado de outro gigante da dramaturgia, Paulo Gracindo (1911-1995). Embora tenha chegado a cursar a faculdade de Psicologia na juventude, o artista optou por não exercer a profissão, canalizando todo o seu talento para os meios de comunicação.
Seu ingresso no meio artístico ocorreu precocemente em 1959, aos 15 anos, quando prestou teste e foi contratado pela Rádio Nacional. Na emissora onde seu pai já brilhava como astro de radionovelas, o jovem atuou como intérprete, redator e disc-jóquei. Pouco depois, em 1961, estreou nos palcos teatrais com a montagem da peça “A Escada”, de Oswald de Andrade.
Gracindo Jr. cravou seu nome na história da teledramaturgia nacional ao integrar a equipe fundadora da TV Globo. Contratado no final de 1964, meses antes da inauguração oficial da emissora em abril de 1965, ele esteve no elenco de produções históricas da fase inicial do canal, a exemplo de “Rosinha do Sobrado”, “Padre Tião” e “A Rainha Louca”.
A parceria de cena com seu pai rendeu momentos inesquecíveis para o público. Juntos, atuaram em folhetins marcantes como “Os Ossos do Barão” e “O Bem Amado”. Em 1976, na novela “O Casarão”, pai e filho dividiram a interpretação do protagonista João Maciel nas fases jovem e madura, papel considerado o primeiro grande divisor de águas na carreira do ator.
Sobre a convivência com a figura paterna, o artista sempre destacou o aprendizado do rigor profissional e o amor incondicional pelo ofício. O respeito mútuo e a admiração pela trajetória do patriarca renderam, inclusive, a montagem do espetáculo teatral “Paulo Gracindo, Meu Pai”, escrito e estrelado por ele em 1980 para celebrar os 50 anos de carreira da família nos palcos.
Além da atuação, o profissional destacou-se com vigor no trabalho atrás das câmeras. A partir de 1978, assumiu funções de supervisão e direção de núcleo da Globo, comandando obras como “A Sucessora”, “Marron-Glacé” e episódios do “Sítio do Picapau Amarelo”. Na década de 1980, esteve à frente da direção do humorístico “Os Trapalhões” e comandou a criação dos primeiros videoclipes exibidos pelo programa “Fantástico”.
Sua versatilidade transitou por diversas redes de televisão ao longo das décadas. Na TV Manchete, participou de produções de grande apelo popular como “Dona Beija”. De volta à Globo, deu vida a personagens marcantes em tramas como “O Salvador da Pátria”, “Mandala”, “Rainha da Sucata” e “Celebridade”, além de ter ingressado no cast de teledramaturgia da Record a partir de 2006.
A presença de Gracindo Jr. também deixou marcas profundas na cinematografia nacional e internacional. Ao longo da vida, participou de mais de duas dezenas de produções para as telonas, integrando o elenco de filmes de destaque como “Os Trapalhões na Serra Pelada”, a produção estrangeira “A Floresta das Esmeraldas”, “Primo Basílio” e “Segurança Nacional”.
Artistas, entidades culturais e personalidades manifestaram pesar pelo falecimento do diretor, destacando seu rigor técnico e a gentileza no trato com os colegas de profissão. O legado construído por Gracindo Jr. consolida-se como um pilar fundamental na estruturação da comunicação e da atuação audiovisual no Brasil.
Com informações do G1
