Operação de São Paulo contra esquema de propina envolvendo cargas irregulares prende empresário em Londrina
Ação do MP-SP e da Corregedoria da Polícia Civil teve apoio do Gaeco de Londrina; investigação apura corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa

O Gaeco de Londrina prestou apoio a uma operação deflagrada na manhã desta sexta-feira (28) pelo Ministério Público de São Paulo e pela Corregedoria da Polícia Civil. A ação mira um suposto esquema de cobrança de propina envolvendo cargas de eletrônicos de origem irregular.
Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva. Até o momento, cinco foram cumpridos. Entre os presos estão três policiais civis, um advogado e o empresário Jonathan Vieira, de Londrina. Dos outros dois alvos, um estaria foragido no Paraguai e o outro ainda é procurado.
Em Londrina, o Gaeco cumpriu mandado de busca e prisão contra Jonathan Vieira. A ação aconteceu na Gleba Palhano, na Rua Ulrico Zuinglio.
De acordo com a investigação, o empresário é apontado como um dos intermediários do esquema no Paraná.
Segundo os investigadores, policiais civis teriam abordado cargas de eletrônicos irregulares e, em vez de apreender todo o material, exigiam pagamentos dos responsáveis para liberar os produtos, total ou parcialmente. Os valores cobrados chegariam a cerca de 70% do valor das mercadorias.
Entre os investigados estão Bruno Moreno dos Santos, policial civil suspeito de participação em uma apreensão de celulares ocorrida em 17 de junho de 2024, quando apenas parte da carga teria sido registrada oficialmente; José Adriano Pereira da Silva Nishi, também policial civil, apontado por suposta participação nas negociações para liberação irregular de mercadorias; Marcos Vinicius, policial civil; e Sidiclei Almeida, advogado apontado como intermediário nas tratativas entre policiais e empresários.
Conforme a apuração, em pelo menos quatro episódios documentados desde 2024, o grupo teria cobrado cerca de R$ 2,35 milhões em propina. A investigação também aponta a participação de um advogado na intermediação das negociações e de dois suspeitos de comandar o contrabando das mercadorias.
O policial civil Vagner de Lima, investigador de 1ª classe lotado no 2º Distrito Policial de Cotia, não teve a prisão decretada, mas foi afastado da função pública. Ele também teve as credenciais de acesso aos sistemas policiais recolhidas e está proibido de manter contato com investigados e testemunhas.
Segundo os investigadores, foram identificados 13 acessos feitos com o login funcional de Vagner ao sistema Muralha Paulista/Cortex, relacionados a um veículo que depois teria sido vinculado ao suposto esquema de corrupção. A suspeita é de que o sistema tenha sido usado para monitorar um caminhão ligado a um dos episódios investigados.
Batizada de Operação Merx, a ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e do Departamento de Operações Estratégicas da Polícia Civil.
Os crimes investigados são corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
“Caixinha da alegria”
De acordo com a investigação, o advogado alvo da operação teria atuado como elo entre policiais e empresários envolvidos no esquema. Ele seria responsável por negociar valores, indicar contas para os pagamentos, orientar quais quantias deveriam ser informadas às autoridades e participar da logística para devolução das mercadorias.
As investigações seguem em andamento.
