Polícia Civil conclui inquérito sobre morte de jovem em Londrina e indicia quatro suspeitos por tortura com resultado morte

Vítima de 27 anos caiu do 14º andar de edifício no centro da cidade após horas de cárcere privado, agressões físicas e psicológicas motivadas pelo sumiço de uma câmera fotográfica.

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Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Londrina concluiu o inquérito policial referente à morte de Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, ocorrida no dia 14 de agosto, após o jovem cair do 14º andar de um edifício situado na região central do município. O caso, que gerou forte repercussão na comunidade local, teve desdobramentos importantes com a responsabilização criminal direta de quatro indivíduos envolvidos na dinâmica do crime.

De acordo com as apurações conduzidas pela autoridade policial, a investigação foi encerrada com o indiciamento dos quatro suspeitos pelos crimes de tortura com resultado morte, além da qualificadora de cárcere privado. Três dos quatro envolvidos respondem ao processo sob o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares, após pedido de habeas corpus deferido pela Justiça, enquanto o andamento processual segue rigorosamente monitorado.

Conforme detalhado pela Polícia Civil, a vítima permaneceu trancada por várias horas em um quarto de apartamento, local onde era submetida a intensas agressões físicas, verbais e psicológicas. A motivação central para as sessões de violência estaria ligada à acusação infundada, feita pelos suspeitos, de que Alexandre teria furtado uma câmera fotográfica avaliada em mais de R$ 12 mil de dentro do imóvel, que funcionava como alojamento compartilhado.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Roberto Fernandes, o conjunto probatório e os depoimentos foram determinantes: “Nós chegamos ao entendimento de que os quatro estavam envolvidos e nós os indiciamos pelo crime de tortura com resultado morte, com a agravante do cativeiro, pelo próprio interrogatório deles. Eles não negaram em momento algum as agressões…”

Durante os interrogatórios conduzidos na delegacia, os suspeitos não negaram a prática das agressões físicas e verbais, tampouco o fato de terem mantido o jovem trancado no cômodo por um período estimado entre três e três horas e meia. Relatos de testemunhas colhidos no inquérito corroboram que a pressão imposta visava unicamente obter confissões e informações da vítima por meio de violência sistemática e intimidação constante.
Além dos depoimentos e da confissão parcial dos investigados, a materialidade probatória foi reforçada pela apreensão de celulares que continham registros visuais explícitos. Entre os arquivos encontrados nos aparelhos eletrônicos, a polícia localizou fotografias e vídeos que mostram os suspeitos junto à vítima, que aparecia visivelmente amarrada e acuada dentro do ambiente confinado do apartamento.

Outro ponto crucial para o descarte da hipótese de suicídio ou de simples queda acidental foi a reconstituição pericial atrelada ao depoimento de testemunhas oculares. Moradores de apartamentos vizinhos e dos andares inferiores relataram ter visto o momento exato em que Alexandre tentava desesperadamente acessar sacadas e áreas externas para fugir do cativeiro antes de despencar fatalmente.

A autoridade policial destacou o relato fundamental de uma testemunha ocular: “A última testemunha que ouviu… ela presenciou ele tentando acessar a sacada dela e, nesse momento, ele caiu. Ou seja, ele estava tentando fugir do cativeiro em que se encontrava…”

Os peritos criminais e investigadores apontaram vestígios físicos claros que sustentam a tese de fuga, tais como marcas de escorregamento nas mãos dos suspeitos em tubulações e conduítes de sacadas, além de telas de proteção de janelas e sacadas que foram completamente rompidas durante a tentativa de escapada do jovem. Para a polícia, a queda está umbilicalmente ligada ao desespero gerado pelas torturas sofridas.

A defesa dos investigados havia conseguido anteriormente a concessão de liberdade provisória para três dos quatro suspeitos, permitindo que respondam aos trâmites legais sob monitoramento eletrônico. No entanto, o material probatório consolidado e o relatório final da delegacia especializada foram remetidos formalmente ao Ministério Público para o oferecimento da denúncia penal formal.

Com o encerramento desta etapa investigativa, o Ministério Público assume a condução da ação penal com base nas conclusões técnicas e testemunhais da Polícia Civil. Os quatro envolvidos deverão responder perante o Poder Judiciário pelas graves acusações de tortura qualificada pelo resultado morte e cárcere privado, enquanto a sociedade e os familiares de Alexandre cobram justiça diante do desfecho trágico.

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Redação Paiquerê FM News

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