Projeto da UEL busca novos tratamentos para recuperar o olfato de pacientes com perda persistente
Pesquisa pretende avaliar terapias inovadoras contra a anosmia e investigar possíveis danos causados pelo uso prolongado de descongestionantes nasais.
- Por Redação Paiquerê FM News
- 04/08/2026 11:23

Um projeto desenvolvido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) pretende encontrar novas alternativas de tratamento para pessoas que perderam o olfato de forma persistente. A pesquisa busca recuperar a função olfativa e analisar os impactos de medicamentos utilizados de maneira contínua no nariz.
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Coordenado pelo professor Marco Aurélio Fornazieri, do Departamento de Clínica Cirúrgica do Centro de Ciências da Saúde (CCS), o estudo tem como foco a anosmia persistente, condição que ficou mais conhecida durante a pandemia de Covid-19, quando muitos pacientes apresentaram perda do olfato após a infecção.
Segundo especialistas, a ausência do olfato pode ocorrer por diferentes motivos, como infecções virais, sinusites, traumas na cabeça e lesões nos nervos responsáveis pela comunicação com o cérebro. Em alguns casos, a perda é temporária, mas cerca de 5% das pessoas infectadas pela Covid-19 permanecem sem recuperar completamente esse sentido.
A pesquisa da UEL vai avaliar três possíveis terapias para estimular a regeneração das células olfatórias: a fotobiomodulação, a aplicação de insulina intranasal e o uso de plasma rico em plaquetas (PRP). As técnicas já são utilizadas em outras áreas da medicina, mas ainda precisam ser estudadas para aplicação no tratamento da perda do olfato.
A fotobiomodulação utiliza uma laserterapia de baixa potência para estimular processos celulares no tecido olfatório. Já a insulina intranasal será aplicada diretamente na região responsável pelo olfato, aproveitando a presença de receptores de insulina nessas células.
Outra abordagem será o uso do plasma rico em plaquetas, obtido a partir do sangue do próprio paciente. A técnica busca estimular a regeneração dos neurônios olfatórios por meio de substâncias presentes nas plaquetas, que auxiliam na recuperação dos tecidos.
Além de testar novos tratamentos, o projeto também vai investigar os efeitos do uso prolongado de descongestionantes nasais. De acordo com o pesquisador, o uso contínuo desses medicamentos pode provocar alterações no tecido olfatório e levar a um ciclo de dependência pelo efeito temporário de alívio da congestão.
O professor Marco Aurélio Fornazieri destaca que o olfato tem papel fundamental na qualidade de vida, influenciando desde a percepção dos sabores até lembranças e emoções. A ausência desse sentido também pode comprometer a segurança, dificultando a identificação de alimentos estragados ou vazamentos de gás.
A expectativa é que o estudo contribua para a criação de protocolos clínicos mais eficientes e seguros, além de reduzir o tempo de tratamento de pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto conta com parceria da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, para apoio técnico e análise dos resultados.
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