Reportagem aponta alertas ignorados pela Anac antes de acidente da Voepass

Documentos obtidos pelo Estadão indicam que um inspetor da agência alertou sobre possíveis falhas em aeronaves e chegou a recomendar a suspensão de operações anos antes da tragédia em Vinhedo.

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Foto: Eliandro Figueira / Estadão

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recebeu, a partir de 2020, alertas sobre possíveis irregularidades envolvendo aeronaves operadas por empresas que posteriormente formaram a Voepass. As informações foram divulgadas pelo jornal Estadão, que teve acesso a documentos relacionados às fiscalizações.

Segundo a reportagem, um inspetor que atuava na agência desde 2009 participou de uma auditoria na MAP Linhas Aéreas, empresa que compartilhava operações com a Passaredo. Em novembro de 2020, ele recomendou a suspensão da companhia e a interrupção do intercâmbio operacional com a Passaredo.

As medidas, porém, não foram adotadas naquele momento. Em uma reunião interna, a Anac teria concluído que não existiam elementos suficientes para determinar as suspensões. Em janeiro de 2021, o servidor voltou a apontar possíveis problemas relacionados à manutenção de motores e ao armazenamento de equipamentos fora do controle de estoque.

O inspetor também enviou, em 2022, comunicações a autoridades estrangeiras relatando suspeitas sobre o reaproveitamento de componentes de uma aeronave acidentada em 2016. De acordo com o Estadão, ele afirmava que algumas peças ainda estariam armazenadas ou teriam sido utilizadas em outras aeronaves.

O servidor acabou sendo alvo de um processo administrativo disciplinar e foi exonerado em 2024. Entre os argumentos apresentados pela Anac estavam acusações de insubordinação, dificuldades de relacionamento e encaminhamento de procedimentos considerados fora de suas atribuições.

Em sua defesa, o inspetor afirmou que o processo contra ele estaria relacionado à insistência em denunciar possíveis irregularidades na companhia aérea. Ele também acusou superiores de práticas como assédio moral e outras condutas que, segundo sua versão, deveriam ser investigadas.

A Voepass era responsável pelo voo 2283, que caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024. A tragédia matou as 62 pessoas que estavam a bordo. Após o acidente, a Anac determinou a suspensão das operações da empresa em março de 2025, e a cassação definitiva do certificado ocorreu em junho daquele ano.

Procurada pelo Estadão, a Anac não comentou as informações apresentadas na reportagem. Em nota, a Voepass classificou a queda do voo 2283 como o episódio mais difícil de sua história e afirmou que sempre adotou medidas voltadas à segurança operacional, além de prestar solidariedade aos familiares das vítimas.

Com informações do Portal Terra

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Redação Paiquerê FM News

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