Rotação da Terra pode ter influenciado a formação da crosta terrestre, aponta estudo

Pesquisa sugere que a desaceleração da rotação da Terra, há bilhões de anos, provocou deformações na crosta do planeta. O fenômeno pode ajudar a explicar a origem dos movimentos tectônicos.

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Reprodução / Foto ilustrativa: Banco de imagens

A velocidade de rotação da Terra pode ter desempenhado um papel importante na formação da crosta terrestre e no surgimento dos primeiros movimentos tectônicos. É o que sugere um estudo publicado na revista científica Journal of Geophysical Research: Solid Earth, que investigou como a desaceleração do planeta, ao longo de bilhões de anos, pode ter alterado sua superfície.

Há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, a Terra teria sofrido uma colisão gigantesca com outro corpo celeste, evento associado à formação da Lua. Após esse impacto, o planeta girava muito mais rapidamente do que hoje, com dias que poderiam durar apenas de duas a cinco horas. Essa velocidade fazia com que a Terra apresentasse um formato bastante achatado nos polos e mais largo na região do equador.

Para investigar as consequências desse fenômeno, o pesquisador Simon Lock, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, utilizou modelos matemáticos que relacionam a estrutura interna da Terra, seu formato e as mudanças na órbita da Lua. As simulações indicaram que, conforme a rotação terrestre diminuía, o planeta adquiria gradualmente uma forma mais arredondada.

Essa transformação teria provocado alterações significativas na crosta primordial. De acordo com os cálculos, as regiões próximas aos polos passaram por processos de alongamento, enquanto as áreas próximas ao equador sofreram compressão. Esses movimentos podem ter alcançado intensidades comparáveis às da atividade tectônica atual e persistido durante dezenas de milhões de anos.

Os resultados levantam a possibilidade de que a desaceleração da Terra tenha contribuído para o desenvolvimento dos processos tectônicos que moldaram a superfície do planeta. No entanto, a hipótese ainda depende de novas investigações, já que poucos vestígios da crosta terrestre mais antiga foram preservados. O estudo reforça a importância de considerar a rotação do planeta nos modelos científicos sobre a evolução geológica da Terra.

Com base em estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth.

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