SUS amplia atendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas
Serviço oferece até 100 mil teleatendimentos mensais

O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou, a partir desta terça-feira (4), a oferta de atendimento em saúde mental para pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas a jogos e apostas. O serviço passa a disponibilizar até 100 mil teleatendimentos mensais, com acompanhamento profissional remoto, sigiloso e acolhedor, além de suporte aos familiares.
A iniciativa tem como objetivo facilitar o acesso ao cuidado em saúde mental e funciona como uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que reúne serviços especializados em todo o país.
O acesso ao serviço é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, que direciona o usuário para a plataforma da AgSUS, responsável pela oferta do atendimento em parceria com o Ministério da Saúde. A equipe é formada por psicólogos, enfermeiros e outros profissionais capacitados para realizar uma escuta qualificada, com atendimento humanizado e sem julgamentos.
Usuários que já possuem o aplicativo instalado receberam uma notificação informando sobre a nova modalidade de atendimento. A mensagem reforça que o cuidado está disponível tanto para pessoas que enfrentam problemas com apostas quanto para familiares.
O serviço começou a ser oferecido em março, inicialmente com 600 atendimentos mensais, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Com o aumento da procura por atendimento digital em saúde mental, a capacidade foi ampliada para até 100 mil consultas por mês.
Para acessar o atendimento, o usuário deve entrar no aplicativo Meu SUS Digital utilizando a conta Gov.Br. Em seguida, é necessário acessar a área “Miniapps” e selecionar a opção “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”. Após realizar um autoteste, a pessoa será direcionada à plataforma da AgSUS.
Na plataforma, o usuário deverá aceitar o termo de uso, responder a um formulário sobre sua situação, preencher os dados cadastrais e informar se busca atendimento para si ou para um familiar. Também será necessário escolher a forma de contato para concluir a solicitação.
Após o cadastro, o sistema gera um protocolo de acompanhamento. Quando a consulta é agendada, o paciente recebe a confirmação, o link para a videochamada, orientações para o atendimento e lembretes sobre horário e equipamentos necessários.
As consultas psicológicas são realizadas por videochamada, com duração aproximada de 50 minutos, preferencialmente uma vez por semana. O profissional poderá indicar um ciclo inicial de até dez sessões e, após uma avaliação, definir se haverá alta, continuidade do atendimento remoto ou encaminhamento para atendimento presencial.
Além do teleatendimento, pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas também podem buscar apoio na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Atualmente, o Brasil conta com 3.120 CAPS em funcionamento.
Entre os sinais que podem indicar uma relação problemática com jogos e apostas estão alterações no sono, alimentação ou humor, ansiedade e irritabilidade quando a pessoa não joga, dificuldade para interromper as apostas, sentimentos de culpa ou vergonha, além de esconder informações sobre os jogos e comprometer a vida financeira, profissional ou familiar.
O Ministério da Saúde e o Ministério da Fazenda também mantêm o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, iniciativa voltada ao acompanhamento dos impactos das apostas na saúde e ao desenvolvimento de ações de prevenção.
Entre as ferramentas disponíveis está a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite ao cidadão solicitar o bloqueio voluntário do CPF em plataformas de apostas autorizadas. Mais de 1 milhão de pessoas já utilizaram o recurso. Entre os motivos relatados estão perda de controle sobre o jogo, decisão de interromper as apostas, dificuldades financeiras e recomendação de profissionais de saúde.
Com informações Julianna Valença / Ministério da Saúde
