Arqueólogos encontram tumba egípcia reutilizada por mais de 300 anos

Pesquisadores identificaram pelo menos 20 pessoas e até um cão mumificado em uma tumba da Necrópole Tebana, no Egito. O local foi utilizado durante mais de três séculos e revelou mudanças nas práticas funerárias ao longo das gerações.

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Reprodução: Banco de imagens

Uma tumba localizada na Necrópole Tebana, próxima a Luxor, no Egito, revelou aos arqueólogos evidências de mais de 300 anos de práticas funerárias. A chamada TT 209 abrigava restos mortais de pelo menos 20 pessoas, além de um cão mumificado e diferentes objetos relacionados aos rituais de sepultamento.

A tumba teria sido construída inicialmente durante a 25ª Dinastia, entre 754 e 656 a.C. Durante as escavações, os pesquisadores identificaram nove depósitos funerários diferentes, com sepultamentos individuais e coletivos. Os primeiros indivíduos enterrados no local aparentemente possuíam posição social elevada, já que foram encontrados caixões, amuletos, redes funerárias e outros objetos considerados valiosos.

Nas camadas correspondentes a períodos posteriores, especialmente no início do domínio persa no Egito, os arqueólogos encontraram mudanças importantes. Quase dois terços dos mortos estavam posicionados verticalmente e alguns foram sepultados sem caixões. Apesar disso, os corpos continuavam cuidadosamente mumificados e mantinham os braços cruzados na chamada posição osiriana, associada ao deus Osíris.

Segundo os pesquisadores, essas diferenças não significam necessariamente falta de espaço, abandono dos rituais ou redução dos cuidados com os mortos. A organização dos corpos indica que cada novo sepultamento levava em consideração aqueles que já estavam na tumba, demonstrando uma espécie de memória funerária mantida durante gerações.

O estudo permite compreender como os costumes funerários egípcios se transformaram ao longo de séculos dentro de um mesmo espaço. Para os pesquisadores, os enterros coletivos e verticais podem representar mudanças culturais e religiosas, e não simplesmente uma forma improvisada de acomodar mais corpos.

Com informações do Aventuras na História e Frontiers in Environmental Archaeology.

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