Corvos reconhecem rostos humanos e podem lembrar de “inimigos” por anos, mostra a ciência

Pesquisas revelam que os corvos conseguem identificar pessoas que representaram ameaça, guardar essa informação por anos e até alertar outros integrantes do grupo sobre o possível perigo.

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Reprodução: Banco de imagens

Os corvos estão entre os animais mais inteligentes do planeta e impressionam pela capacidade de reconhecer rostos humanos e lembrar de pessoas que já representaram algum tipo de ameaça.

Estudos científicos mostram que essas aves conseguem memorizar a aparência de indivíduos específicos por muitos anos e compartilhar essa informação com outros corvos, que passam a identificar a mesma pessoa como um possível perigo.

Em um dos experimentos mais conhecidos, um pesquisador capturou alguns corvos utilizando uma máscara de ogro e, após libertá-los, voltou diversas vezes ao local usando o mesmo disfarce. Mesmo sete anos depois, as aves continuavam emitindo vocalizações de alerta sempre que o reconheciam.

Segundo a professora de biologia Emanuele Abreu, do Colégio Católica Brasília, esse comportamento não significa exatamente que os corvos sintam rancor como os seres humanos.

“Do ponto de vista biológico, trata-se de uma estratégia de sobrevivência. Ao memorizar e compartilhar informações sobre possíveis predadores ou situações de risco, os corvos aumentam as chances de proteção do grupo”, explica.

Além da memória impressionante, os corvos pertencem à família dos corvídeos, conhecida pelas habilidades cognitivas avançadas. Diversos estudos mostram que essas aves são capazes de resolver problemas complexos, utilizar ferramentas, aprender por observação, modificar objetos para obter recompensas, reconhecer padrões, diferenciar formas geométricas e compreender quantidades simples.

Por muito tempo, acreditava-se que algumas dessas capacidades eram exclusivas dos seres humanos e de outros primatas.

Apesar da fama de “vingativos”, os cientistas explicam que os corvos apenas utilizam sua memória e aprendizagem social para identificar quem representa perigo e agir de forma preventiva.

Em relação à conservação, o corvo-comum (Corvus corax) é classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como uma espécie de pouca preocupação, já que possui ampla distribuição geográfica e população considerada estável.

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