EUA anunciam sanções contra brasileiros e empresas por suposta ligação com o PCC
Medidas atingem duas pessoas e três empresas acusadas de integrar estrutura financeira da facção criminosa

Os Estados Unidos anunciaram a primeira rodada de sanções econômicas contra pessoas e empresas acusadas de ligação com o Primeiro Comando da Capital, o PCC. A medida foi divulgada nesta quarta-feira (1º) pelo governo norte-americano e tem como alvo duas pessoas e três empresas brasileiras apontadas como parte de uma estrutura de lavagem de dinheiro ligada à organização criminosa.
Em maio, os Estados Unidos já haviam incluído o PCC e o Comando Vermelho na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. Segundo documento publicado pelo Departamento do Tesouro dos EUA, o PCC é apontado como a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental.
As sanções anunciadas atingem os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. e Wave Construções Inteligentes Ltda.
De acordo com Washington, os alvos fariam parte da estrutura financeira da facção. A citação ao termo “Hemisfério Ocidental” no comunicado também indica o foco do governo norte-americano em sua estratégia para a América Latina.
Ainda em janeiro, os Estados Unidos divulgaram uma nova estratégia de defesa com o objetivo de reforçar sua presença militar e comercial no continente americano, do Ártico à América do Sul.
No documento, o governo norte-americano afirma estar disposto a colaborar com países da região, mas também sinaliza que poderá adotar medidas quando considerar que seus interesses não estão sendo atendidos.
Bloqueio de bens
Segundo o comunicado do governo dos Estados Unidos, todos os bens das pessoas sancionadas que estejam em território norte-americano ficam bloqueados e devem ser reportados ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, o OFAC.
Além disso, qualquer empresa que pertença, direta ou indiretamente, em 50% ou mais às pessoas sancionadas também será bloqueada.
Os Estados Unidos também proíbem transações realizadas por cidadãos norte-americanos, ou dentro do território dos EUA, que envolvam propriedades ou interesses de pessoas incluídas na lista de sanções.
Acusações contra os alvos
Sobre as pessoas sancionadas, Victor Shimada é uma dela. O governo norte-americano afirma que ele seria um elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais.
Ele é acusado de lavar mais de US$ 30 milhões, o equivalente a cerca de R$ 156 milhões, em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos Estados Unidos. Segundo o comunicado, parte dos valores teria sido transferida ao Brasil por meio de criptomoedas em nome da facção.
Shimada também foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, em julho de 2025, por lavagem de dinheiro no âmbito do caso envolvendo a VaideBet, ex-patrocinadora do Corinthians.
Já Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, segunda pessoa sancionada, é apontada pelo governo norte-americano como parente de Shimada. Segundo os EUA, ela teria atuado como secretária e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, prestando apoio logístico às operações financeiras investigadas.
O subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou no comunicado que o governo dos Estados Unidos busca enfrentar a expansão da geração de receitas ilícitas atribuídas ao PCC dentro do país.
As sanções fazem parte de uma estratégia mais ampla de combate a redes criminosas transnacionais e ao financiamento de organizações ligadas ao tráfico de drogas.
Texto: Rafael Guerra sob supervisão dos jornalistas da Paiquerê FM 98.9
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