Ex-vereador de São Paulo é alvo de operação contra atuação do PCC no transporte da capital paulista
O ex-vereador Milton Leite é um dos alvos da ação, que apura possível influência da facção em empresas de ônibus da capital paulista

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público deflagraram, nesta quinta-feira (17), a Operação Vectura Corrupta, que investiga a suspeita de infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
Entre os alvos está o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, do União Brasil. A ação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes cidades do estado, incluindo São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Até o momento, nove pessoas foram presas. Entre os investigados aparecem nomes ligados ao setor de transporte, advogados, empresários, um ex-presidente da SPTrans e um candidato a deputado estadual.
Segundo as autoridades, a investigação apura indícios de que empresas de ônibus teriam sido controladas, direta ou indiretamente, por integrantes ou interlocutores da organização criminosa. O objetivo da operação é aprofundar a análise sobre a atuação do grupo no transporte público e em possíveis esquemas de lavagem de dinheiro.
Investigação sobre o transporte
De acordo com o Ministério Público, o material reunido ao longo da apuração aponta uma possível contaminação de empresas do transporte coletivo pela facção. Pelo menos 12 empresas que atuam na cidade de São Paulo aparecem sob suspeita de vínculo direto ou indireto com o PCC.
Milton Leite é citado na investigação como possível operador de empresas relacionadas ao esquema. As autoridades também mencionam depoimentos de policiais militares em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, nos quais ele teria sido apontado como dono de fato da Transwolf.
A operação desta quinta é um desdobramento de investigações anteriores, como a Operação Decúrio, realizada em 2024. Na época, os investigadores identificaram uma rede de comunicação atribuída ao PCC, envolvendo pessoas presas e em liberdade, além de suspeitas de atuação de advogados na intermediação de contatos.
Suspeita de influência política
A nova fase da investigação também apura possível participação da facção no financiamento de campanhas eleitorais de 2024. Entre os alvos há pessoas que teriam atuado em articulações políticas, no setor de transportes e em procedimentos ligados a licitações.
Conforme a apuração, integrantes e interlocutores do PCC teriam buscado ampliar influência no transporte público e em disputas políticas municipais. A investigação também menciona a atuação de advogados e empresários em supostas negociações de interesse da organização criminosa.
Alvos da operação
Entre os nomes citados estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans; Carla de Paula Muller, apontada como esposa de Antônio José Muller Junior, conhecido como Granada; e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL.
Também aparecem na apuração empresários e advogados suspeitos de intermediar interesses da facção, atuar em empresas de transporte ou participar de movimentações financeiras sob investigação.
A decisão judicial que autorizou a operação ressalta que os elementos analisados estão em fase inicial e não representam condenação dos investigados.
Posicionamento de Milton Leite
Milton Leite negou as acusações. Ele afirmou que não está foragido, mas em viagem, e disse que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas para comprovar sua inocência.
As investigações continuam para analisar os materiais apreendidos, aprofundar a identificação dos envolvidos e apurar a eventual participação de outras pessoas no esquema.
Siga a Paiquerê FM 98.9 e se mantenha informado: @paiquerefm
