Flávio Bolsonaro divulga carta nos EUA, questiona eleições e se declara líder do Brasil
Senador viajou com a família após decisão do STF que determinou a entrega de seus passaportes; Polícia Federal investiga as circunstâncias da saída do país

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma carta pública nesta quarta-feira (28), após chegar aos Estados Unidos com a família. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, ele contestou o processo eleitoral brasileiro e criticou medidas judiciais contra si.
Na publicação inicial, Flávio se apresentou como “presidente eleito” e questionou a segurança e a transparência das eleições. Depois, apagou o conteúdo e passou a se declarar “líder do Brasil”.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, afirmou o senador. Na mensagem, ele também agradeceu aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, em referência à sua saída do território brasileiro.
Flávio comparou sua situação à de Rui Barbosa, que se exilou durante o governo do marechal Floriano Peixoto, e à da líder oposicionista venezuelana María Corina Machado.
Em entrevista nesta quarta-feira, Trump afirmou que não pretende se envolver na situação política brasileira após as declarações do senador de que seria o verdadeiro presidente do país.
Na eleição presidencial, Flávio havia terminado o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Apesar de liderar pesquisas de intenção de voto, foi derrotado no segundo turno, no domingo (25), por 51,79% a 48,21%.
Aliados do senador afirmaram que a viagem ao exterior ocorreu em meio ao receio de uma possível prisão, diante do avanço de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio, por sua vez, classificou as medidas judiciais contra ele como uma tentativa de intimidação e questionou as garantias jurídicas para opositores no Brasil.
O parlamentar é investigado em procedimentos que tramitam no STF. Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e operações relacionadas ao mercado de apostas esportivas. Em outra investigação, o senador é citado no caso que apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio afirma que enfrenta restrições a seus direitos políticos e apresenta sua permanência nos Estados Unidos como uma forma de proteção pessoal e política.
Polícia Federal investiga saída do país
A Polícia Federal informou nesta quarta-feira que investiga as circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. O senador descumpriu a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o proibiu de deixar o país e ordenou a entrega de seus passaportes brasileiro e diplomático.
Em nota, a corporação ressaltou que a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem não torna automaticamente uma pessoa foragida nem autoriza, por si só, sua prisão, vigilância permanente ou a adoção de outras medidas cautelares.
Flávio, a esposa, Fernanda, e as duas filhas, Luíza, de 14 anos, e Carolina, de 12, entraram na Argentina às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones.
Cerca de 40 minutos depois, a família embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador. A passagem pela fronteira argentina foi confirmada pela Direção Nacional de Migrações do país.
Na manhã desta quarta-feira, a aeronave chegou ao aeroporto Opa-Locka, em Miami, nos Estados Unidos, pouco antes das 10h30, no horário de Brasília.
A ordem de apreensão dos passaportes foi determinada por Alexandre de Moraes a pedido da própria Polícia Federal, após a derrota de Flávio no segundo turno das eleições presidenciais.