Inteligência artificial usa sons, câmeras e satélites para proteger animais e florestas

Tecnologia permite identificar espécies ameaçadas, acompanhar o desmatamento e detectar atividades suspeitas em áreas naturais. Especialistas destacam que a inteligência artificial acelera o monitoramento ambiental, mas não substitui o trabalho humano.

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Reprodução / foto ilustrativa: Banco de imagens

A inteligência artificial está se tornando uma importante ferramenta para a preservação da biodiversidade no Brasil. Com o auxílio de câmeras inteligentes, sensores de áudio e imagens de satélite, pesquisadores conseguem monitorar florestas, identificar animais ameaçados de extinção e detectar possíveis danos ambientais de maneira mais rápida e eficiente.

Uma das aplicações está no uso de armadilhas fotográficas instaladas em áreas de mata. Esses equipamentos registram a passagem de animais e, com a ajuda da inteligência artificial, permitem identificar espécies e até reconhecer indivíduos por características da pelagem, como acontece com as onças-pintadas. O processo reduz o tempo necessário para analisar milhares de imagens coletadas em campo.

Segundo Felipe Feliciani, analista de conservação do WWF-Brasil, um monitoramento com dezenas de câmeras pode produzir entre 10 mil e 15 mil registros em apenas dois meses. Antes, os pesquisadores precisavam verificar cada imagem manualmente. Agora, sistemas automatizados conseguem organizar os dados e facilitar a identificação dos animais.

A tecnologia também auxilia no combate ao desmatamento e a outras ameaças ambientais. Satélites permitem acompanhar mudanças na cobertura vegetal, enquanto microfones instalados nas árvores podem captar sons de motosserras, disparos e cantos de aves. Os áudios são transformados em informações visuais que a inteligência artificial analisa para reconhecer padrões e identificar possíveis ocorrências.

Apesar dos avanços, especialistas ressaltam que a participação humana continua indispensável. A bióloga Andrée de Ridder Vieira explica que os resultados precisam ser conferidos para evitar erros na identificação das espécies. Além disso, a proteção ambiental depende de pesquisadores, comunidades locais e povos tradicionais para transformar os dados coletados em ações concretas de conservação.

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