Neurociência explica por que esquecemos os sonhos logo após acordar
Você já acordou lembrando perfeitamente de um sonho e, poucos minutos depois, não conseguia recordar praticamente nada? Segundo a neurociência, isso acontece porque o cérebro dificulta o armazenamento dessas lembranças durante o sono REM, fazendo com que elas desapareçam rapidamente.

Acordar com a sensação de ter vivido um sonho intenso e esquecê-lo quase imediatamente é uma experiência muito comum. Segundo a neurociência, isso acontece porque o cérebro funciona de maneira diferente durante o sono, especialmente na fase REM, quando ocorrem os sonhos mais vívidos.
Nesse período, o hipocampo, região responsável por transformar experiências em memórias duradouras, trabalha de forma diferente. Embora participe do processamento das informações, ele tem dificuldade para consolidar os sonhos como lembranças permanentes.
Outro fator importante é a baixa concentração de noradrenalina, neurotransmissor fundamental para a formação das memórias. Durante o sono REM, seus níveis permanecem reduzidos, o que dificulta ainda mais que o cérebro registre o conteúdo dos sonhos.
Ao despertar, existe uma pequena janela de cerca de um a dois minutos em que ainda é possível lembrar do sonho. Depois disso, o cérebro passa a priorizar as informações do ambiente, como sons, luz, preocupações e tarefas do dia, fazendo com que as lembranças oníricas desapareçam rapidamente.
Pesquisas recentes também identificaram outro mecanismo envolvido nesse processo. Um estudo publicado na revista Science mostrou que neurônios produtores do hormônio concentrador de melanina (MCH), localizados no hipotálamo, são ativados durante o sono REM e enviam sinais ao hipocampo que ajudam o cérebro a eliminar informações consideradas pouco relevantes. Esse processo contribui para que a maior parte dos sonhos não seja armazenada na memória de longo prazo.
Especialistas destacam que esquecer os sonhos é um processo normal e saudável. Esse mecanismo ajuda o cérebro a separar a realidade das experiências vividas durante o sono, evitando que memórias reais e conteúdos dos sonhos se misturem.
Já dificuldades persistentes para dormir, pesadelos frequentes ou alterações importantes no sono merecem atenção e devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
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