União Europeia barra importação de carnes do Brasil por exigências no uso de antimicrobianos
Embrargo entra em vigor nesta quinta-feira (3) e pode estender restrições ao setor bovino até meados de 2028, enquanto avicultura aguarda auditoria em novembro.

A partir desta quinta-feira (3), a União Europeia suspenderá temporariamente a compra de carne bovina e de aves procedentes do Brasil. O anúncio oficial da medida foi feito pela Comissão Europeia no final de agosto, sob a justificativa de que o bloco aguarda garantias formais das autoridades brasileiras quanto ao cumprimento integral de seus rigorosos padrões sanitários.
O impasse ganhou força após o Brasil ser retirado, em maio, da lista de países considerados em conformidade com as diretrizes do bloco europeu para o uso de antimicrobianos na pecuária. A regulamentação comunitária veda expressamente o emprego de determinados antibióticos e substâncias químicas na criação de animais quando destinados a estimular o crescimento ou aumentar a produtividade.
Para ter o acesso ao mercado europeu restabelecido, os produtores nacionais precisarão comprovar que as remessas enviadas estão totalmente isentas de substâncias proibidas pelas normas sanitárias locais. A exigência foca na rastreabilidade e no controle rígido de toda a cadeia de proteína animal enviada ao exterior.
Em reação aos questionamentos do bloco econômico, o governo brasileiro implementou novos protocolos de fiscalização a partir de 1º de julho. As medidas visam endurecer o monitoramento sobre a comercialização e aplicação de medicamentos veterinários em produtos de origem animal em todo o território nacional.
No segmento de aves e na produção de mel, contudo, o cenário pode apresentar evolução em curto prazo. A expectativa é que a situação desses setores seja reavaliada até o mês de novembro, quando a Comissão Europeia analisará os relatórios de uma auditoria técnica realizada no sistema de controle sanitário brasileiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a encaminhar uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 31 de julho, solicitando o reingresso antecipado do país no rol de fornecedores autorizados de frango e mel antes do término completo das auditorias.
A análise oficial do pleito brasileiro pelo comitê técnico sanitário europeu está agendada para os dias 16 e 17 de novembro. No encontro, o colegiado debaterá aspectos ligados ao bem-estar animal, saúde pública e requisitos para autorização de importações junto aos países membros do bloco.
Por outro lado, o panorama para a pecuária de corte projeta prazos significativamente mais longos para a normalização das vendas. Estima-se que as exportações de carne bovina brasileira para o continente europeu possam permanecer suspensas até meados de 2028.
A extensão do bloqueio ao setor bovino deve-se ao ciclo biológico mais longo do gado, o que exige um período maior para adaptar toda a cadeia de suprimentos, manejo e engorda aos padrões internacionais exigidos.
A liberação definitiva das vendas dependerá da capacidade do país em apresentar evidências auditáveis de que nenhum animal destinado ao abate para a União Europeia teve contato com os antimicrobianos vetados.
A restrição imposta pelo mercado europeu impõe um desafio logístico e regulatório imediato ao agronegócio brasileiro, que busca acelerar as adequações para evitar maiores prejuízos à balança comercial do setor.
Com informações da Revista Oeste
