Brasil mantém notas estáveis, mas segue abaixo da média global no Pisa 2025

Relatório da OCDE aponta retrocesso inédito na aprendizagem mundial e destaca abismo socioeconômico que equivale a quase três anos de estudos entre alunos ricos e pobres no país.

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Foto: Flickr / Daniel F. Pigatto / RFI

O Brasil registrou estabilidade em suas pontuações, mas permaneceu na metade inferior do ranking global do Programa para Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa) 2025. O relatório, divulgado nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), analisou o nível de conhecimento de quase 760 mil jovens de 15 anos em 91 países e territórios.

Apesar da estagnação dos índices brasileiros em relação às edições anteriores, o cenário geral desenhado pelo levantamento foi classificado como sombrio pela OCDE. A entidade alertou que os sistemas de ensino do planeta registraram o pior nível médio de desempenho da história do indicador, com perdas severas principalmente nas áreas de leitura e matemática.

No contexto nacional, o estudo colocou em evidência a profunda desigualdade socioeconômica no ambiente escolar. Na disciplina de ciências, por exemplo, a diferença entre estudantes de famílias de alta e baixa renda atingiu 96 pontos no Brasil, patamar que corresponde a quase três anos a menos de escolarização para os alunos mais vulneráveis.

Apenas 1,8% dos estudantes brasileiros conseguiram atingir os níveis mais altos de rendimento acadêmico na avaliação. O número deixa o país bastante distante da média registrada pelos países membros da OCDE, onde cerca de 11,9% dos alunos alcançam os patamares superiores de excelência escolar.

O topo do ranking internacional continuou dominado por nações e territórios asiáticos. As regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang lideraram os índices de matemática e ciências, enquanto Singapura obteve o primeiro lugar em leitura. Macau, Taiwan, Japão e Coreia do Sul também mantiveram posições de destaque.

Nenhum país da América Latina conseguiu figurar entre os líderes das três disciplinas avaliadas. Contudo, nações como Uruguai, Costa Rica e El Salvador mostraram evolução nos testes de ciências quando comparados aos dados do ciclo anterior do Pisa, realizado em 2022.

Na Europa, o desempenho geral também acendeu alertas, com exceção de nações como Estônia, Reino Unido, Finlândia e Irlanda, que ficaram acima da média. A França, por exemplo, registrou as menores notas de sua história desde o início da aplicação do teste em 2000, gerando fortes cobranças sobre o Ministério da Educação francês por avanços pedagógicos.

A OCDE atribuiu a queda global nas notas a múltiplos fatores sociais e comportamentais. Entre os motivos apontados estão os impactos persistentes da pandemia de covid-19 na rotina escolar, o desinteresse crescente dos jovens pela leitura tradicional e o uso excessivo de telas dentro e fora de sala de aula.

O estudo também analisou pela primeira vez o impacto da Inteligência Artificial no aprendizado. Segundo a pesquisa, o uso desmedido de ferramentas de IA esteve associado a desempenhos inferiores em ciências na maioria dos países, embora lugares de alto rendimento como Singapura e Macau tenham demonstrado integração eficiente das tecnologias.

Especialistas da entidade reforçam que a leitura continua sendo a habilidade fundamental para o desenvolvimento acadêmico pleno. A recuperação desse pilar é apontada pelo relatório como o caminho prioritário para que os países consigam reverter os retrocessos e fechar as lacunas de aprendizado nos próximos anos.

Com informações do Portal Terra

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Redação Paiquerê FM News

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