Fósseis de 11 milhões de anos encontrados no Acre revelam ancestrais dos muriquis

Quatro dentes e um fragmento ósseo encontrados na Amazônia brasileira levaram à identificação de duas novas espécies de primatas que viveram há cerca de 11 milhões de anos. Uma delas é próxima dos atuais muriquis e pode ajudar a explicar a evolução e a antiga distribuição desses animais pelo Brasil.

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Reprodução: Banco de imagens

Fósseis de aproximadamente 11 milhões de anos encontrados no Acre revelaram duas espécies de primatas até então desconhecidas pela ciência. Os materiais, formados por quatro dentes e um fragmento do osso do tarso, foram encontrados na Formação Solimões, na Amazônia brasileira.

As novas espécies receberam os nomes de Migmacebus juruaensis e Parabrachyteles vesperus. Apesar da pequena quantidade de fósseis e do estado moderado de preservação de parte do material, a descoberta mais do que dobra a diversidade conhecida de primatas que viveram na Amazônia brasileira durante o Mioceno.

Entre os achados, Parabrachyteles vesperus ganhou destaque por apresentar proximidade evolutiva com os atuais muriquis, primatas encontrados hoje na Mata Atlântica brasileira. Até então, os muriquis modernos não possuíam um registro fóssil conhecido, tornando a descoberta importante para reconstruir a história do grupo.

Com aproximadamente seis quilos, o antigo primata provavelmente consumia alimentos fibrosos e folhas, em uma dieta semelhante à observada nos muriquis atuais. A presença de um parente próximo desses animais no Acre também indica que seus ancestrais podem ter ocupado uma área geográfica muito maior no passado.

Já o Migmacebus juruaensis era consideravelmente menor, provavelmente pesando menos de um quilo. As características dos dentes sugerem uma alimentação baseada principalmente em frutas e alimentos mais duros. O animal apresenta ainda uma combinação de características encontradas atualmente em grupos como macacos-prego e macacos-de-cheiro.

Para estudar os pequenos fósseis, os pesquisadores utilizaram tomografia computadorizada de alta precisão e fotografia óptica. As análises permitiram observar detalhes das estruturas e comparar os materiais com espécies atuais para estimar características como tamanho corporal e alimentação.

Os achados são resultado de cerca de 15 anos de expedições realizadas por pesquisadores brasileiros e estrangeiros na Amazônia. Parte dos fósseis foi recuperada por meio do peneiramento de sedimentos coletados nas barrancas dos rios, especialmente durante a estação seca, quando alguns afloramentos ficam mais acessíveis.

Segundo os pesquisadores, as descobertas ajudam a compreender como diferentes grupos de primatas surgiram, se diversificaram e se espalharam pela América do Sul. Os fósseis também reforçam a importância da Amazônia para o estudo da evolução dos primatas que hoje vivem em diferentes regiões do continente.

Com informações do Aventuras na História e Jornal da USP.

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