Vestido de 4.500 anos com 7 mil contas revela detalhes da elite do Egito Antigo
Encontrado em uma tumba no Planalto de Gizé, um raro vestido feito com milhares de contas permaneceu armazenado por décadas antes de ser reconstruído. A peça pertenceu a uma mulher que viveu na época do faraó Khufu, responsável pela construção da Grande Pirâmide.

Um vestido de contas com mais de 4.500 anos ajuda pesquisadores a compreender como integrantes da elite se vestiam e encaravam os rituais funerários no Egito Antigo. Atualmente exposta no Museu de Belas Artes de Boston, nos Estados Unidos, a peça é considerada o primeiro modelo completo desse tipo já recuperado da civilização egípcia.
As aproximadamente 7 mil contas foram encontradas em 1927, espalhadas sobre e ao redor do corpo de uma mulher sepultada em um sarcófago de calcário no Planalto de Gizé. A mulher viveu por volta de 2500 a.C., período do faraó Khufu, também conhecido como Quéops. Sua identidade permanece desconhecida, mas a localização do sepultamento na necrópole real indica que ela provavelmente possuía uma posição social importante.
O vestido era formado principalmente por contas de faiança egípcia, material vitrificado de tonalidade azul-esverdeada. Para os antigos egípcios, essas cores estavam relacionadas ao céu, às águas do Nilo, à fertilidade, à renovação e à ideia de renascimento após a morte. A peça provavelmente era utilizada sobre outra roupa e poderia estar relacionada a cerimônias e rituais funerários.
Depois da descoberta, as contas permaneceram guardadas durante cerca de seis décadas em 30 recipientes no museu. A reconstrução ficou a cargo da pesquisadora Millicent Jick e levou aproximadamente três anos. Fotografias e desenhos produzidos durante a escavação foram fundamentais para descobrir a posição original das milhares de peças.
Os pesquisadores conseguiram reconstruir inclusive os padrões geométricos do vestido, formados principalmente por losangos. Na região da bainha também existiam pingentes florais que poderiam produzir pequenos sons durante os movimentos de quem vestia a peça.
Além de revelar aspectos da moda de milhares de anos atrás, o vestido oferece pistas sobre status social, cerimônias e crenças religiosas do Egito Antigo. Para os especialistas, a escolha dos materiais e das cores mostra que a vestimenta também carregava um significado espiritual relacionado à esperança de renovação e continuidade da vida após a morte.
Com informações do Aventuras na História, Museu de Belas Artes de Boston e National Geographic.
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