Interior do polo sul de Marte pode ser até 400 °C mais quente que o norte, revela estudo

Uma pesquisa revelou uma grande diferença de temperatura no interior de Marte. O manto localizado no hemisfério sul pode ser entre 200 °C e 400 °C mais quente que o do norte, com regiões parcialmente fundidas. A descoberta pode ajudar a explicar características geológicas, magnéticas e até a história da presença de água no planeta.

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Reprodução: Banco de imagens

O interior de Marte apresenta uma diferença de temperatura muito maior entre os hemisférios do que se imaginava. Pesquisadores identificaram que o manto do hemisfério sul pode ser entre 200 °C e 400 °C mais quente que o do norte.

O estudo, publicado na revista científica Nature, foi liderado por pesquisadores da Universidade do Arizona. Para investigar as camadas profundas do planeta, a equipe utilizou dados gravitacionais coletados durante décadas pelas missões Mars Global Surveyor, Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter.

Os cientistas aplicaram uma técnica chamada tomografia de maré, capaz de analisar pequenas alterações gravitacionais e, a partir delas, reconstruir características do interior do planeta. Os dados permitiram elaborar um modelo tridimensional das estruturas profundas de Marte.

A diferença encontrada no interior também acompanha uma característica já conhecida da superfície marciana. O hemisfério sul possui terrenos mais elevados e marcados por crateras, enquanto o norte apresenta extensas regiões de planícies mais baixas e suaves.

A anomalia térmica também pode contribuir para explicar características magnéticas encontradas em minerais ricos em ferro no sul do planeta. Além disso, os resultados são compatíveis com dados obtidos anteriormente pela missão InSight, da NASA, sobre a propagação de ondas sísmicas no interior marciano.

Ainda não existe uma explicação definitiva para a temperatura mais elevada no sul. Entre as hipóteses estão uma grande colisão ocorrida no passado, movimentos de transferência de calor no manto ou estruturas geológicas que teriam funcionado como isolantes e dificultado a liberação do calor.

A descoberta oferece novas pistas sobre a evolução de Marte e sobre processos que podem ter influenciado sua geologia e hidrologia, incluindo a formação de antigas bacias capazes de armazenar água.

Com informações da Revista Galileu.

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