Nova técnica pode ajudar a decifrar pergaminhos carbonizados há cerca de 2 mil anos
Pesquisadores desenvolveram uma técnica que combina diferentes métodos de raios X e processamento digital para tentar recuperar textos de papiros carbonizados. Em laboratório, os cientistas produziram uma amostra, queimaram o material e conseguiram identificar parte da escrita ao detectar pequenas concentrações de chumbo presentes na tinta.

Pesquisadores liderados pela Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos, desenvolveram uma técnica que pode ajudar a revelar textos preservados em pergaminhos carbonizados pela erupção do Monte Vesúvio há cerca de 2 mil anos. O método utiliza tecnologias de raios X e processamento digital para identificar vestígios de chumbo presentes em determinadas tintas.
Os resultados foram publicados nesta quarta-feira (16) na revista científica PLOS One. O objetivo é ampliar as possibilidades de análise dos papiros encontrados em Herculano, cidade romana soterrada pela erupção do Vesúvio no ano 79.
Técnicas digitais já conseguiram recuperar partes de textos desses materiais sem a necessidade de desenrolá-los fisicamente. Um dos principais desafios, porém, é que muitos documentos foram escritos com tintas à base de carbono, material difícil de diferenciar do papiro carbonizado em determinadas imagens de raios X.
No novo experimento, os pesquisadores produziram uma amostra de papiro utilizando tinta contendo chumbo e depois carbonizaram o material para reproduzir algumas das condições encontradas nos documentos antigos.
A equipe utilizou fluorescência e tomografia de raios X para identificar os elementos químicos e reconstruir digitalmente a estrutura em três dimensões. Com auxílio de um software desenvolvido para o estudo, foi possível recuperar parte da escrita mesmo em regiões com concentrações muito pequenas de chumbo.
Embora o método não tenha permitido decifrar todo o texto da amostra e sua aplicação aos documentos históricos ainda precise ser avaliada, os pesquisadores consideram que a técnica pode ampliar as ferramentas disponíveis para investigar os pergaminhos de Herculano sem danificá-los.
Com informações do estudo publicado na revista científica PLOS One.
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