Previsão do tempo pode ter limite máximo de 129 dias, aponta estudo

Um novo estudo sugere que a previsão meteorológica possui um limite teórico de aproximadamente 129 dias, mesmo em um cenário com modelos e medições extremamente precisos. A limitação estaria relacionada ao comportamento caótico da atmosfera e a pequenas incertezas associadas à energia solar que chegam continuamente ao planeta.

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Reprodução: Banco de imagens

Até onde seria possível prever o tempo com precisão? Um estudo publicado na revista científica Advances in Atmospheric Sciences aponta que pode existir um limite físico de aproximadamente 129 dias. A estimativa representa um teto teórico e não significa que meteorologistas já consigam prever com segurança chuva, temperatura ou tempestades com quatro meses de antecedência.

Atualmente, modelos meteorológicos utilizam uma enorme quantidade de informações, como temperatura, pressão atmosférica, umidade, ventos e condições dos oceanos. Esses dados são processados por computadores para simular o comportamento da atmosfera. O problema é que ela funciona como um sistema caótico: diferenças muito pequenas nas condições iniciais podem crescer com o passar do tempo e produzir cenários bastante diferentes.

Os pesquisadores investigaram o que aconteceria mesmo se erros de medição e limitações dos modelos fossem eliminados. A análise aponta para outra fonte inevitável de incerteza: a energia solar que chega constantemente à Terra na forma de fótons. Pequenas incertezas físicas associadas a essa radiação seriam incorporadas ao sistema atmosférico e aumentariam progressivamente.

A partir de cálculos envolvendo a energia da atmosfera e a radiação recebida do Sol, os cientistas chegaram a uma faixa entre aproximadamente 122 e 136 dias, com valor central próximo de 129 dias, para o limite fundamental de previsibilidade.

Na prática, a meteorologia ainda está distante desse teto. Previsões detalhadas costumam perder confiabilidade progressivamente conforme o período aumenta, enquanto projeções mais longas são utilizadas principalmente para indicar tendências e probabilidades, e não para determinar exatamente como estará o tempo em determinado local e horário.

Os próprios pesquisadores ressaltam que o resultado ainda precisa ser testado por novas análises independentes. Caso seja confirmado, o estudo poderá ajudar a estabelecer até onde a ciência pode avançar na previsão atmosférica e orientar melhorias nos modelos meteorológicos usados em áreas como agricultura, energia, logística e preparação para eventos extremos.

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