Cerâmicas de 3.200 anos revelam uma das primeiras “marcas” da história na Arábia

Vasos produzidos no oásis de Qurayyah, no noroeste da Arábia, desenvolveram uma identidade própria, foram exportados por centenas de quilômetros e chegaram a ser imitados em outras regiões. Para pesquisadores, essas características permitem comparar a antiga produção a uma espécie de “marca” da Antiguidade.

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Reprodução: Banco de imagens

Há cerca de 3.200 anos, comunidades que viviam no oásis de Qurayyah, no noroeste da Arábia, produziam cerâmicas tão características e valorizadas que pesquisadores passaram a considerá-las uma espécie de “marca” da Antiguidade. Os objetos possuíam identidade visual própria e circulavam por territórios localizados a centenas de quilômetros do local de fabricação.

A conclusão surgiu a partir da análise de dezenas de vasos da chamada Qurayyah Painted Ware, anteriormente conhecida como “Cerâmica Midianite”. O estudo, liderado por Marta Luciani, da Universidade de Viena, também ajudou a esclarecer a origem dos objetos, indicando que eles eram efetivamente produzidos no próprio oásis de Qurayyah.

Segundo os pesquisadores, a tradição começou há aproximadamente 3.600 anos e foi se transformando ao longo do tempo. Por volta de 3.200 anos atrás, os artesãos passaram a produzir vasos decorados com animais e figuras humanas relacionadas a rituais, criando um estilo facilmente reconhecível.

As peças alcançaram regiões situadas centenas de quilômetros ao norte, incluindo áreas do sul do Levante, além de circularem em direção ao norte da Arábia. Evidências foram encontradas em locais como Tell el-Kheleifeh e o santuário de Timna, associado à deusa egípcia Hathor. Mesmo com essa expansão, a produção permaneceu concentrada em Qurayyah durante séculos.

Para comparar o fenômeno a uma “marca”, os pesquisadores consideraram características como identidade visual, padronização dos materiais, continuidade das técnicas de fabricação, produção centralizada, exportação, imitações e reputação cultural. A tradição teria permanecido vinculada ao oásis por mais de mil anos, chegando até o final da Idade do Ferro.

A origem das peças foi investigada com diferentes tecnologias. Os cientistas estudaram pequenas seções dos vasos em microscópios e analisaram sua composição química, criando uma espécie de “impressão digital” dos materiais. A combinação das técnicas permitiu relacionar as cerâmicas diretamente aos recursos encontrados na região de Qurayyah.

A descoberta também reforça que as comunidades dos antigos ambientes desérticos da Arábia não viviam isoladas. Mesmo enfrentando disponibilidade limitada de água, argila e combustível, esses grupos desenvolveram técnicas próprias e participaram de extensas redes comerciais e culturais com outras regiões do Oriente Próximo.

Com informações do Aventuras na História, PLOS ONE, Universidade de Viena e Phys.org.

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