Estudo revela como presas dos narvais conseguem crescer retas e chegar a três metros
Pesquisadores descobriram que a presa do narval possui duas camadas internas organizadas em espirais que seguem direções opostas. Essa estrutura ajuda o longo dente a crescer de maneira reta e aumenta sua resistência a forças de torção e flexão.

Uma nova pesquisa revelou o mecanismo que permite às impressionantes presas dos narvais crescerem praticamente retas mesmo podendo atingir até três metros de comprimento. Conhecidos como “unicórnios do mar”, esses animais possuem uma das estruturas dentárias mais curiosas encontradas entre os mamíferos.
Apesar da aparência de um chifre, a presa é, na realidade, um dente modificado e extremamente alongado, encontrado principalmente nos machos. Cientistas investigam diferentes funções para a estrutura, incluindo sua possível participação na disputa por parceiras e seu funcionamento como órgão sensorial.
O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, mostrou que o segredo está na organização interna da presa. Os pesquisadores identificaram duas camadas principais que formam espirais em sentidos opostos.
A camada externa, composta por cemento, apresenta uma organização helicoidal voltada para a esquerda. Já a camada interna, formada por dentina, possui fibras organizadas em uma hélice voltada para a direita. Segundo os pesquisadores, a interação entre essas estruturas opostas contribui para que a presa mantenha seu crescimento reto e estável.
Para chegar aos resultados, a equipe analisou presas fornecidas pelo Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia e por caçadores de subsistência inuítes. As amostras passaram por análises microscópicas, raios X de alta intensidade e tomografia computadorizada.
Testes mecânicos também indicaram que a combinação das duas espirais aumenta a capacidade da presa de resistir a forças de torção e flexão, característica importante para uma estrutura tão longa.
Outro aspecto observado é que as camadas da presa acompanham os ciclos anuais de crescimento do narval, de maneira semelhante aos anéis encontrados nos troncos das árvores. Isso pode transformar o dente em uma espécie de registro da vida do animal.
Os pesquisadores agora pretendem estudar esses padrões para tentar reconstruir diferentes fases da vida dos narvais e obter informações sobre as condições enfrentadas por essas baleias no Ártico ao longo dos anos.
Com informações do Aventuras na História e Nature Communications
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