Inscrição de 1.500 anos revela esquema de fraude fiscal no Império Romano

Fragmentos de uma inscrição encontrados na antiga cidade de Stratonicea, na atual Turquia, revelaram detalhes de um esquema de fraude na cobrança de impostos durante o Império Romano. O documento, datado do ano 480, determinava punições severas contra funcionários envolvidos nas irregularidades, incluindo confisco de bens e, em casos excepcionais, até pena de morte.

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Reprodução: Banco de imagens

Uma inscrição em pedra com aproximadamente 1.500 anos ajudou pesquisadores a reconstruir um caso de corrupção fiscal ocorrido no Império Romano. Os fragmentos foram encontrados em 2024 na antiga cidade de Stratonicea, no sudoeste da Turquia, e inicialmente chegaram a ser interpretados como partes de um possível poema funerário.

Após análises e comparações com inscrições já conhecidas em outras cidades, os pesquisadores descobriram que o material fazia parte de uma decisão administrativa emitida no ano 480 pelo prefeito pretoriano do Oriente, uma das principais autoridades responsáveis pelas finanças, justiça e administração da região.

O documento tratava de irregularidades na arrecadação de impostos em propriedades pertencentes a Placídia, filha do imperador Valentiniano III. Segundo a interpretação dos pesquisadores, funcionários emitiam comprovantes que não informavam claramente os valores arrecadados ou as unidades utilizadas. A prática permitiria cobrar determinada quantia da população, declarar outra ao governo e ficar com a diferença.

As denúncias sobre o esquema teriam chegado às autoridades romanas por volta do ano 465. Como determinações anteriores não teriam sido cumpridas, uma nova intervenção foi ordenada 15 anos depois. Um emissário especial recebeu a missão de solucionar o problema em até três meses.

As punições previstas demonstram a seriedade atribuída ao caso. Além do confisco de propriedades, governadores e outros funcionários que ignorassem as determinações poderiam receber multa equivalente a três libras de ouro. Em uma situação considerada excepcional, a ordem previa até a pena de morte.

Os fragmentos também ajudaram os pesquisadores a compreender como decisões oficiais eram divulgadas naquele período. Comparações entre cópias encontradas em diferentes cidades mostraram alterações na ordem de palavras e em determinados trechos, indicando que existia alguma liberdade local durante a reprodução das determinações em pedra.

Apesar dessas diferenças, alguns elementos eram reproduzidos cuidadosamente. Os pesquisadores identificaram, por exemplo, que os responsáveis pela inscrição chegaram a copiar a assinatura latina manuscrita da autoridade romana na base de um texto escrito em grego.

A descoberta oferece, assim, não apenas novas informações sobre práticas de corrupção e fiscalização há cerca de 1.500 anos, mas também detalhes sobre a maneira como leis e decisões administrativas circulavam e eram tornadas públicas durante o período romano.

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