Estudo revela novas pistas sobre inteligência do dodô e aponta possíveis hábitos noturnos
Um novo estudo está mudando a imagem histórica do dodô, ave extinta no século 17 e frequentemente retratada como lenta e pouco inteligente. Análises de crânios preservados indicam que seu cérebro era proporcional ao tamanho do corpo e semelhante ao de parentes atuais, como pombos e rolinhas. A pesquisa também encontrou indícios de que a espécie poderia ter hábitos noturnos ou crepusculares.

Pesquisadores utilizaram tomografias computadorizadas para reconstruir o interior de crânios de dodôs e investigar características do cérebro e dos sentidos da espécie. O estudo, publicado no Zoological Journal of the Linnean Society, mostrou que o tamanho cerebral do animal era compatível com o de aves próximas evolutivamente, contrariando a antiga ideia de que o dodô teria pouca capacidade cognitiva.
Outra descoberta chamou a atenção: a região cerebral relacionada à visão era bastante reduzida. Em contrapartida, evidências apontam para um olfato desenvolvido. Para os pesquisadores, essa combinação sugere que o dodô poderia depender menos da visão e ter uma rotina predominantemente crepuscular ou noturna.
A fama de animal “burro” teria sido alimentada por relatos de marinheiros que chegaram à Ilha Maurício, no Oceano Índico, a partir do final do século 16. Como a espécie evoluiu em um ambiente sem grandes predadores mamíferos, os dodôs não desenvolveram medo dos seres humanos, o que facilitava sua captura. Esse comportamento, portanto, não necessariamente indicava falta de inteligência.
A chegada dos humanos também trouxe espécies invasoras, como ratos, cães e porcos, que afetaram o ambiente e contribuíram para o rápido desaparecimento da ave. Em menos de um século após o contato com navegadores europeus, o dodô estava extinto.
As novas descobertas ajudam a reconstruir a biologia de uma das espécies extintas mais famosas do mundo e mostram que sua reputação histórica pode não corresponder ao animal que realmente viveu na Ilha Maurício.
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